A possível aliança ocorre em um momento delicado para Rondônia. A crise na saúde pública, marcada pela falta de médicos, superlotação de hospitais e relatos constantes de mortes nos corredores das unidades de atendimento, tem sido uma das principais queixas da população. Servidores reclamam da sobrecarga de trabalho e da ausência de respostas efetivas do governo estadual.
Mesmo diante desse cenário, o governador Marcos Rocha, que não deixará o cargo para disputar as eleições, articula nos bastidores a construção de um sucessor político. A aposta em Adailton Fúria levanta uma questão central: haverá, de fato, autonomia para governar ou Rondônia corre o risco de repetir um modelo de gestão subordinado a interesses externos e acordos partidários?
O papel do PSD no governo Lula
O Partido Social Democrático (PSD), ao qual Fúria é filiado, ocupa posição estratégica no cenário nacional. A legenda é uma das principais aliadas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Congresso Nacional, com forte influência no Senado e participação direta na sustentação de pautas consideradas prioritárias pelo Palácio do Planalto.
Na prática, o PSD atua como fiel da balança em votações importantes, ajudando a definir o avanço ou o bloqueio de projetos que impactam diretamente estados e municípios. Essa proximidade com o Governo Federal levanta questionamentos em Rondônia sobre o alinhamento político que poderá prevalecer em uma eventual gestão estadual comandada por um governador do partido.
Heranças políticas e velhos conhecidos
Além da filiação partidária, Adailton Fúria carrega consigo a aliança com Expedito Júnior, figura já conhecida do eleitorado rondoniense. Para críticos, trata-se da reedição de grupos políticos tradicionais que, ao longo dos anos, ocuparam espaços de poder sem apresentar soluções estruturais para problemas históricos do estado.
A presença desses nomes no mesmo projeto político reforça o discurso de que a pré-candidatura não representa uma ruptura, mas sim a continuidade de um sistema que, segundo opositores, mantém Rondônia refém de acordos, favores e interesses partidários.
Autonomia ou tutela política?
A principal preocupação que emerge desse cenário é se Adailton Fúria teria liberdade para governar caso chegue ao Palácio Rio Madeira. Com o governador Marcos Rocha permanecendo no cargo e o PSD alinhado ao Governo Lula, cresce a percepção de que o próximo governo pode nascer politicamente tutelado.
Para parte da sociedade, o risco é claro: um estado já fragilizado pode ser ainda mais sucateado por decisões tomadas fora de Rondônia, sem prioridade real para as necessidades da população local.
População cobra mudanças reais
O eleitor rondoniense, que já vivenciou frustrações recentes com promessas de mudança, observa com cautela as articulações que se intensificam rumo a 2026. O sentimento de abandono nos serviços essenciais, especialmente na saúde, reforça o apelo por uma gestão independente, transparente e comprometida com resultados concretos.
Em meio às alianças anunciadas e aos bastidores da política, uma pergunta permanece no ar: Rondônia caminhará para um novo projeto de desenvolvimento ou continuará sendo governada por arranjos que pouco dialogam com a realidade do povo?
Redação Site Eletrônico Portal364



