EDITORIAL: Crispin acusou Energisa de roubar em Rondônia, depois quis homenagear a empresa, mas desistiu após pressão popular

O parlamenta emedebista deu razão à voz social em suas redes e abriu mão da pauta, demonstrando alguma razoabilidade

Porto Velho, RO – Em um cenário político onde a consonância com a voz popular muitas vezes parece mais teórica do que prática, o deputado estadual Ismael Crispin, do MDB, demonstra uma trajetória marcada por reviravoltas significativas, moldadas pela pressão popular.

Em menos de um ano, Crispin mudou de posição por duas vezes, colocando-o em um grupo seleto de políticos que, pelo menos, mostram disposição para escutar a sociedade a que prometeram servir e proteger.

Recentemente, Crispin se viu no centro de uma controvérsia ao anunciar a concessão de um Voto de Louvor à empresa Energisa, concessionária de energia elétrica que já foi alvo de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembleia Legislativa de Rondônia (ALE/RO).

A reação pública foi imediata e intensa, com manifestações veementes nas plataformas de comunicação do deputado, culminando no cancelamento da homenagem. Este ato seria interpretado como um “suicídio” político, dado o descontentamento generalizado com a empresa, acusada pelo mesmo Crispin, em 2019, de “roubar” os rondonienses.

É a contradição encarnada, no mínimo.

RELEMBRE O DISCURSO DE 2019:

A decisão de Crispin de revogar a homenagem veio acompanhada de um reconhecimento da necessidade de estar alinhado aos valores da comunidade, conforme expresso em nota de cancelamento. No entanto, essa não foi a primeira vez que Crispin recuou após feedback negativo da população.

Em 2023, após críticas nas redes sociais, ele retirou um projeto de lei que pretendia flexibilizar a legislação atual que exige o preenchimento de 10% das vagas em empresas contratadas por órgãos públicos com pessoas portadoras de deficiência (PCDs),

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O caso de Crispin destaca a influência crescente da mobilização digital na política regional. O poder da internet em galvanizar a opinião pública e forçar mudanças políticas é inegável e se apresenta como uma ferramenta democrática poderosa, capaz de manter os representantes eleitos responsáveis perante seus eleitores. Este fenômeno é particularmente relevante em um ano eleitoral, como 2024, onde cada ação ou inação pode ser decisiva.

Por outro lado, a frequência com que Crispin muda suas posições levanta questões sobre sua consistência e integridade política. Enquanto alguns podem ver um político disposto a admitir erros e ajustar seus cursos de ação, outros podem questionar sua visão e convicções originais, ponderando se suas decisões são guiadas por convicções firmes ou pela conveniência política momentânea.


A nota de Crispin publicada em suas redes sociais / Reprodução

Além disso, o caso de Crispin também lança luz sobre a hipocrisia presente na política, especialmente em períodos eleitorais. Enquanto o deputado estadual do MDB de Rondônia se viu pressionado a revogar uma homenagem à Energisa após a forte reação da sociedade, outros políticos aproveitam o cenário eleitoral para atacar seus oponentes e promover suas agendas pessoais.

A situação contrasta vividamente com a postura de outros políticos, como o ex-deputado Jesuíno Boabaid, cujas tentativas de defender o aumento de benefícios dos parlamentares, lá em 2017, encontraram resistência popular e resultaram em mudanças significativas, incluindo cortes na verba indenizatória. “Não tenho medo de rede social”, vociferou à ocasião. O Rondônia Dinâmica abordou o assunto há quase 7 anos.

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Boabaid, que queria mais R$ 6 mil no salário em auxílio-alimentação quando membro do parlamento estadual, agora preside uma associação de nome duvidoso (A-D-O-R-O [?]) e a usa para protestar contra Crispin.

Ele próprio foi dissuadido da ideia de defender um auxílio-alimentação em cima de seus próprios proventos. A ironia não poderia ser mais evidente: um político que tenta se apresentar como defensor dos interesses populares enquanto busca benefícios pessoais para si mesmo.

Já sobre Ismael e a Energisa, é um caso que reforça a importância da vigilância cívica e da participação ativa da sociedade em questões governamentais, legislativas e administrativas.

Ismael Crispin, assim, emerge como um exemplo complexo da política contemporânea: por um lado, um ouvinte atento das demandas populares; por outro, um político cujas oscilações podem ser vistas tanto como uma abertura democrática quanto uma falta de direção clara.

Em um Brasil politicamente fragmentado e volátil, a trajetória de Crispin serve como um lembrete do poder do povo em moldar a governança — uma lição que, sem dúvida, será lembrada nas urnas.

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Fonte: Por Rondoniadinamica





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